Livro de artista
esse corpo
esse corpo
Juliana Schneider
17 exemplares
Oficina do Cego, 2025
18 poemas em tipografia costurados sobre 19 imagens em serigrafia
Livro integrante da Biblioteca de Arte Gulbenkian, Lisboa – PT
esse corpo é um livro de artista que nasce de perguntas sobre o corpo-mulher, a memória e as histórias que atravessam três gerações de mulheres. A pesquisa da autora sobre o próprio corpo encontra, nas fotografias e nos documentos da sua avó, um arquivo íntimo a partir do qual emergem poemas. Entre vestígios e lembranças, a escrita aproxima-se das vidas que a antecedem, interrogando aquilo que se transmite entre gerações e o que já não pode ser recuperado.
Atravessam o livro questões ligadas à imigração, aos lugares concedidos ao feminino e às vidas que poderiam ter sido. A perda da memória da avó torna-se parte dessa investigação, trazendo à tona os fragmentos de uma história e os limites do que podemos conhecer. Que vidas tiveram as mulheres que vieram antes de nós? Que vidas poderiam ter vivido se soubéssemos? Entre documentos e imaginação, os poemas aproximam-se dessas histórias.
Os documentos e as fotografias são reproduzidos em serigrafia, os poemas em tipografia, e as páginas são costuradas à mão. A imagem dos dedos da neta marcados pela agulha, como os da avó costureira, condensa a relação entre memória e corpo que sustenta a obra. A costura, prática herdada da avó, torna-se também um gesto de continuidade, incorporado na construção do próprio livro.
Compor as palavras, tintar as imagens e costurar essas páginas é tatear uma história: não para restituí-la por inteiro, mas para acolher as suas ausências, interrogar as suas heranças e imaginar as vidas que continuam a ecoar nos corpos das mulheres que vieram depois.
“Eu estou tão comovida com essa obra. O trabalho da artista trata o próprio objeto livro como arte e cada detalhe é cuidadosamente tecido, impresso, rasgado, recortado, juntando lembranças, afetos, homenagens, documentos, histórias de uma vida, de uma avó, das marcas que ela deixou no mundo e na neta. Uma neta que com todo respeito e cuidado junta tudo, costura tudo, escreve poemas e, ao final, nos conta sobre o amor. “Esse corpo” também é a história de um país, de um tempo que faz parte de todos nós e carregamos. Não é sempre que nos deparamos com tanta beleza e eu sigo encantada!”
— Diana Poppe