leva ( ) dias e ( 49 ) poemas para esquecer
São pequenas aberturas, pequenas frestas por onde o vento passa, por onde a água sai da pedra, por onde o sentido, inaudito, chega. Os poemas que você vai ler neste livro são, a um só tempo, sutis e profundos, leves e densos, ásperos e suaves. Como em um oxímoro a tempestade é calma, o silêncio é sonoro. E o que chega pelas frestas, de onde vem?
Vamos aos poucos sendo conduzidos pelas mãos de Juliana à abertura de uma outra escuta, atenta ao rumor subterrâneo das relações, dos seres, da vida. Atenta ao invisível da poesia que permeia tudo e à densidade dos corpos. Independente do que faça, a poesia é a raiz mais profunda de Juliana Schneider, sua escuta primordial, algo que nasceu com ela.
Por sua sensibilidade poética somos tocados pelo amor. A vida é o amor se movendo em seu infindável caminho de transformação, aqui mesmo, no mínimo gesto, na vida de todo dia. Porém o que chega pelas frestas vem de um corpo profundo de mulher que se abre, afunda, morre e vira cinza para esquecer, renascer. Esquecer é virar cinza. O rumor vem de um processo uterino que vai nos revelando a geografia de um território feminino em movimento, nascente das águas que chega à superfície.
Temos acesso ao itinerário desse “desmanche” que não cabe em números e ainda assim se traduz em dias, em poemas. E deságua na tessitura de seu próprio aviso, sua própria voz: “é por aqui que o ar entra”.
Nada neste livro é ao acaso e ao mesmo tempo é como sentar-se para tomar um café numa tarde desocupada.
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