Artigo
RESUMO
Into the periphery
Grande parte do que acontece na vida organizacional ocorre nos limites da linguagem, sob a forma de inquietações vagas, sentimentos transitórios ou pequenos gestos. No decorrer das nossas relações com os outros, podemos pressentir uma possível nova abertura ou um desconforto ainda indefinido. Entretanto, geralmente é só mais tarde que conseguimos fazer referência a algo que emergiu.
Apresento duas narrativas reflexivas de momentos de ação vivenciados com colegas em uma organização e com uma estudante após uma aula. Proponho que, enquanto profissionais da investigação organizacional e de ‘action-research’, precisamos de aprender uma forma particular de arte, que consiste em prestar atenção a pequenas mudanças e variações à medida que elas ocorrem, frequentemente ocorrendo na periferia da nossa consciência.
Recorro ao trabalho de Manning sobre os «gestos menores» (minor gestures) e às noções de Shotter de «ação conjunta» (joint action) e «pensamento-com» (withness-thinking). Recorro também à escritora Clarice Lispector para explorar como podemos elaborar, a posteriori, relatos reflexivos que permaneçam em contato com a potencialidade precária e incerta daquilo que poderá vir a acontecer.