video-poema
Traça, 2026
Direção, fotografia e edição: Eduardo Pinheiro
Poema e performance: Juliana Schneider
Duração: 03:50
Local de filmagem: Paraty, RJ – Brasil
Formato: cor, 16:9
O vídeo-poema Traça nasce a partir do poema com mesmo nome, publicado em “leva ( ) dias e (49) poemas para esquecer” (2025)
Acompanhamos uma figura que atravessa um processo de reconhecimento do próprio corpo como matéria ferida, porosa e em transformação. Envolta por um tecido que funciona ao mesmo tempo como pele, proteção e obstáculo, ela tateia rasgos, buracos e umidade enquanto o poema mistura a linguagem aparentemente objetiva de um aviso com imagens de corte, sangue, suor e afeto. Aos poucos, a montagem se intensifica, alternando corpo coberto e descoberto, até interromper esse fluxo num confronto direto com a câmera.
Entre a tentativa de manter a ferida “seca e arejada” e o gesto final de umedecê-la, o filme desloca a ideia de dano para uma condição de existência: aquilo que está roto também permite passagem. No fim, o buraco deixa de ser apenas uma marca de violência e passa a ser abertura — “é por aqui que o ar entra”.